Seguros: quando ninguém diz toda a verdade

 

Antes de tentar activar um seguro certifique-se de tudo o que vai acontecer. O que parece simples, nem sempre é.

 

O seu carro foi alvo de tentativa de furto? Partiram o vidro do carro? Estragaram a fechadura? Para activar o seu seguro automóvel, caso este tenha cobertura para estas situações, tem de apresentar queixa às autoridades. Mas a simples denúncia não chega.

Quando percebeu que lhe tinham tentado assaltar o carro e estragado o canhão da fechadura, Raquel contactou a sua seguradora e perguntou o que deveria fazer naquela situação, relata ao tvi24.pt. Foi informada que tinha de apresentar queixa às autoridades e enviar essa denúncia juntamente com uma descrição dos factos.

Dirigiu-se à esquadra da sua área de residência, em Lisboa, e apresentou queixa por tentativa de furto.

O agente que tomou nota da queixa, após saber que Raquel precisava de enviar um documento à seguradora, disse-lhe que não lhe daria cópia da denúncia, apenas lhe ia entregar um comprovativo da queixa com o número do processo.

Disse-lhe ainda que as seguradoras sabiam que as autoridades não davam mais documentos e que o acesso à restante informação teria de ser pedido pela própria seguradora.

Enviou o documento à seguradora e marcou uma peritagem para comprovar os danos. O perito foi à garagem e avisou que depois seria enviado um fax à oficina a autorizar o arranjo. Estes seriam depois responsáveis por contactar a cliente. Raquel esperou. Esperou. Esperou.

Um mês depois contactou a seguradora e perguntou o que se passava, porque nunca mais tinha sido contactada. A operadora respondeu-lhe que «faltava documentação». Raquel explicou que tinha enviado o documento que fora dado pela PSP. «Não chega», responderam-lhe.

Pediu para falar com a pessoa responsável pelo seu sinistro, ao que a operadora respondeu: «Não podemos». Garantiu, no entanto, que deixava uma indicação «para o gestor entrar em contacto». Facto que não aconteceu.

Só depois de insistir por email, recebeu uma resposta a explicar a situação: «Continua em falta a Declaração de Queixa às Autoridades, visto que, o documento que nos remeteu tratava-se de uma Notificação de Queixa. Alertamos ainda para o facto de na Declaração de queixa às Autoridades terá de constar a matrícula do veículo furtado e a data em que ocorreu o furto», lia-se.

 


O que falta?

As seguradoras querem ter acesso às declarações que «a vítima» prestou junto das autoridades, seja na PSP ou na GNR, por forma a confirmar a informação e evitar burlas.

Na verdade, o documento dado pela PSP a Raquel, apenas refere o nome do denunciante e a data de apresentação da queixa. Sobre o alegado crime ou a identificação do veículo «nada diz».

Em declarações ao tvi24.pt a PSP e a GNR explicaram que, de facto, apenas entregam a notificação, por forma, a evitarem que «a instituição seja usada como prova» junto da seguradora.

Mais informação tem de ser requerida ao Ministério Público, entidade responsável pela investigação do processo. Ou seja, o segurado precisa de requerer uma extracção de certidão para, depois, enviar esse documento à seguradora. E aqui, não há volta a dar «se os documentos estiverem dentro e critérios de razoabilidade», explicou ao tvi24-pt, Paulo Fonseca, jurista da Deco.

Mesmo que cada cópia da extracção de certidão custe 12,75 euros ao requerente, o valor terá de ser assumido pelo segurado, desde que informação «possa ser considerada relevante».

«Quando parecer ao segurado que o pedido é exagerado, podemos estar perante uma prática comercial agressiva» e, nessa situação, deve-se contactar as autoridades, acrescenta o jurista. Como a Deco ou o Centro de Informação, Mediação, Provedoria e Arbitragem de seguros (Cimpas).

Se o documento dado pelas autoridades «tivesse mais informação, esta questão talvez não se colocasse», conclui o jurista.

Mas, o facto, é que a PSP e a GNR não dão mais informação. Essa é a regra a cumprir. E tudo por culpa do «fantasma das burlas».

 

Fonte: TVI

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